contacto: olhares-outono@porto.ucp.pt
Há exactamente 30 anos Stockhausen dizia que “A ideia de se poder compor automaticamente, fazendo exclusivo uso do computador vai-se insinuando em muitas cabeças privadas de criatividade. Premir um par de botões e pronto: o monstrozinho confecciona-te a peça, enquanto sorves o teu café.†Hoje sabemos que o tempo é capaz de vergar algumas ideias e até contrariar alguns assuntos encerrados. Nos últimos dez anos o Homem foi capaz de moldar essa bela ferramenta que é o computador pessoal, tornou-o acessÃvel ao utilizador comum e catalisou um processo criativo que transformou a composição musical e a exploração sonora. O Big-Bang digital criou um número elevado de hipóteses, tantas quanto o número de indivÃduos disponÃveis para experimentar o universo dos sons, e raro é o músico, compositor, amador ou profissional, que exclui do seu trabalho o apoio de um software. Esta universalização tecnológica e o seu fácil acesso colocou no mapa musical, electrónico, alguns paÃses que até ao inÃcio do séc. XXI dificilmente conseguiriam um lugar de destaque neste género.
Contrariamente ao que a frase de Stockhausen propôs, o computador aguçou ainda mais a criatividade de cada um, e o que era geograficamente discernÃvel há uns anos atrás passou a ser apenas reconhecÃvel usando um método de “catalogação estéticaâ€. Portugal não foi excepção e embora ainda haja alguma relutância na exploração sonora é possÃvel desenhar um mapa de referências pertencentes a uma rede que abrange todas as placas tectónicas do planeta.
Em dez anos, os métodos de organização musical, de produção, de execução e até os de audição sofreram uma transformação, que nem um génio consegue antever – mesmo com as imprevisÃveis acelerações a Matéria Prima tenta acompanhar todas as ofertas que abrangem as mais excêntricas mentes criativas.
Se alguma conclusão pode ser retirada destes factos é a de que a oferta criativa está muito mais avançada que a disponibilidade auditiva. Alguns “porquês†são ligeiramente visÃveis, mas enquanto as águas turvas escondem o resto das razões torna-se urgente em Portugal a insistência numa educação mais musical, mais visual, mais criativa, que abra fronteiras e seja capaz de reconhecer as diferenças de cada estação.
Para este desafio, lançado pelo festival Olhares de Outono, julgamos importante sublinhar algumas sinergias musicais, e para isso nada melhor que patrocionar o encontro entre alguns criadores sonoros da cidade do Porto. As escolhas programáticas, exploram processos que envolvem ciência digital e emocional, o improviso como ponto de partida para o equilÃbrio entre o som e a imagem.
O palco escolhido vai ser o Passos Manuel, um local que sempre apoiou projectos de vanguarda, tanto na Primavera como no Outono da vida.
88(-1) [estreia absoluta] @c - Miguel Carvalhais, Pedro Tudela
Sen VI - Toshio Hosokawa
`Xcuse me while I kiss the sky - Pedro Junqueira Maia
Percussionista dedicado à criação contemporânea, Nuno Aroso, nasceu no Porto em 1978. Depois de completar o curso de percussão da Escola Profissional de Música de Espinho, Nuno Aroso foi admitido na Escola Superior de Música do Porto. Concluiu a licenciatura em 2001 com 20 valores no recital final. Em 2003 prosseguiu estudos de especialização no Conservatoire National de Strasbourg, obtendo com unanimidade o Diplôme de Soliste em Marimba e Vibrafone.
Frequentou durante o perÃodo académico diversos cursos e masterclasses de percussão e música contemporânea, procurando encontrar as referências fundamentais da actualidade musical. Em Paris, com Jean Pierre Drouet, abordou o repertório do teatro instrumental. Em 2001, foi-lhe atribuÃdo o Prémio de Mérito Académico da Fundação Eng. António de Almeida, e em 2008 foi agraciado com a Bolsa de Criadores do Centro Nacional de Cultura pelo projecto Technicolor, um registo discográfico a solo em torno do universo do cinema. Mário Laginha, Eduardo Patriarca, LuÃs Antunes Pena, LuÃs Tinoco e Amanda Cole, foram os compositores que escreveram para este projecto. É desde 1999 membro do Drumming - Grupo de Percussão, solista da Oficina Musical e colaborador do Remix Ensemble. Com estes grupos ou num plano solÃstico, tocou em estreia absoluta mais de 70 obras e gravou parte deste repertório num total de treze edições discográficas. Apresenta-se em concerto ao lado dos mais proeminentes artistas, maestros, grupos e compositores da actualidade, nos principais palcos das artes contemporâneas em Portugal e também em França, Alemanha, Bélgica, Espanha, Itália, Eslovénia, Brasil, China, Tailândia.
Particularmente motivado para o enriquecimento e renovação do conceito concerto enquanto espectáculo total, desenvolve com frequência relações artisticas com outras disciplinas: Dança, Cinema, Teatro, Literatura. Na presente temporada integrou como intérprete/criador o projecto multidisciplinar ixHerculean no ZKM, em Karlsruhe. A carreira a solo tem vindo a assumir um papel fundamental na sua vida artÃstica. Com olhos voltados para a exploração de novas técnicas, de renovados meios instrumentais e de aspectos cénicos inerentes à performance da percussão, Nuno Aroso tem colaborado activamente com inúmeros compositores dos mais variados quadrantes estéticos e de diferentes pontos do globo, resultando dessa colaboração o crescimento de um repertório próprio e idiossincrático, que simultaneamente contribui para o desenvolvimento da percussão enquanto área instrumental e performativa. Os projectos para a próxima temporada incluem duas edições discográficas a solo, bem como inúmeras primeiras audições de autores da actualidade com passagens por palcos nacionais e internacionais.
Nuno Aroso lecciona na Escola Superior de Música do Porto.
Untitled Sounds/Building003 [áudio e projecção de vÃdeo sobre vidro]
Com o intuito de escapar à tradicional cumplicidade entre som e vÃdeo, mediada pelo vulto na mesa de palco, e a consequente hierarquização dos meios; o projecto tenta corporizar o espectro imagético, por definição restringido a dois eixos, obrigando-o a avançar sobre o público.
Os conteúdos serão compostos por sons e imagens, devidamente controlados através de parâmetros independentes para que se crie uma justaposição de meios, uma fusão equilibrada entre som e imagem, entre executante e espectador.
22 de Novembro [22:00] - Passos Manuel
Levitation Tests is inspired by the beauty of restless and weightless bodies in perpetual motion, focusing on the poetics of Bernoulli's principle fenomenology. Levitation Tests #2 is inspired by the beauty of restless and weightless bodies in perpetual motion. Focusing on the poetics of Bernoulli's principle, an ascensional force is generated in order to attenuate earth's gravity force: where there's fast moving air there's low pressure, bodies are atracted to low pressure between high pressure air and levitation becomes a phenomenological occurrence cognitively interpreted as a magical act.
26 de Novembro [23:00] - Passos Manuel
Markus Popp é OVAL, músico alemão, uma das principais referências da música electrónica contemporânea. Recentemente, a editora americana Thrill Jockey editou dois novos albuns seus: o EP “Oh†e o duplo álbum "Oâ€. OVAL tem também colaborado com nomes como Björk, Ryuichi Sakamoto, Tortoise ou Mouse on Mars. Em paralelo com a sua carreira como músico, tem desenvolvido projectos noutras áreas artÃsticas como o vÃdeo “Twift†dos Mouse on Mars ou a plataforma interactiva de manipulação sonora “Ovalprocessâ€, usada em algumas instalações artÃsticas, em locais como o Centre Pompidou, o Chicago´s Cultural Center, ou o Museu k21 em Düsseldorf.
A sua música explora uma abordagem essencialmente electrónica com um carácter orgânico muito forte, abrindo caminho para uma nova concepção estética em matéria de exploração sonora digital que exerceu forte influência na nova geração de músicos e ouvintes ligados à música electrónica abstracta.
26 de Novembro [00:00] - Passos Manuel
Jerome Faria performs compositions built upon digitally generated sounds and processed acoustic sources such as field recordings and traditional musical instruments. The collected sounds are then layered into a dense tonal textured narrative ranging from noise and distorted materials to melodic moments of generative melodies based on improvisation influenced by space and time.
27 de Novembro [23:00] - Passos Manuel
An instantanious collision of sonic power. Based on lifesounds which have fascinated and intrigued both artists for over 5 years.
SFT: Piano | Mac.
Paul: Non linear piano | Mac | Visuals.
The collaborations extends both artists feelings, exploring the outer and more unusual sonic experiments they both feel.
27 de Novembro [00:00] - Passos Manuel
Olhares de Outono 2010 from Olhares Outono
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O Festival Olhares de Outono teve a sua primeira edição em 2000. O catalogo das primeiras 7 edições está já disponÃvel para download.
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